Aviso: O conteúdo aqui apresentado tem uma finalidade exclusivamente informativa sobre um tipo específico de jogo e como jogá-lo. O objetivo deste conteúdo não é nem promover nem disponibilizar um tipo de jogo, mas simplesmente informar o jogador acerca de como jogá-lo.


As pessoas são competitivas. Desde pugilistas profissionais, futebolistas e atletas aos ferozes guerreiros de teclado e irmãos rivais... todos querem ganhar. Até as avós impacientes magoam as canelas ao passarem pelas portas do metro carregado de gente com os seus trolleys de compras axadrezados, desesperadas por chegar primeiro que os outros.

Não há como o negar. Todos querem ganhar.

Não é necessariamente algo mau. Como disse Barney dos Simpsons, “não há nada de mal num pouco de competição saudável”. E ele tem razão. Competitividade é algo que é inerente ao ser humano e, portanto, totalmente natural.

Estimula-nos a nos tornarmos melhores e é um fator tão importante na nossa evolução quanto o bipedismo ou a eletricidade.

O problema com a competitividade é só um: se há vencedores, tem de haver perdedores. Para além disso, o valor da vitória é, normalmente, proporcional ao número de adversários vencidos no processo. Portanto, as vitórias mais significativas vêm à custa das esperanças e sonhos de muitas outras pessoas.

Os torneios são um exemplo fantástico desta questão no mundo do poker.

Neste artigo, vamos abordar algumas situações em que perder pode ser pouco saudável e debruçar-nos sobre como lidar com isso nas mesas.
 

Índice

  1. Porquê Arriscar?
  2. Deixar o Seu Ego Mantê-lo Numa Má Mesa
  3. Jogar os Seus B e C Games Demasiado Tempo
  4. Tentar Forçar as Coisas num Bom Jogo
  5. A Responsabilidade é Essencial
  6. Se Estiver Preocupado com um Jogador Perdedor, Ajude-o
     

Porquê Arriscar?

Tem tudo a ver com o sentimento de bem-estar.

  • A euforia que resulta de ganhar alguma coisa é inigualável.
  • Dá-lhe uma sensação de conquista que é recompensadora e emocionante.

Os recetores de prazer no seu cérebro adoram uma boa dose de dopamina e você sentir-se-á melhor do que o personagem principal numa cena musical dum filme da Disney. Resumindo, as pessoas jogam porque ganhar é muito bom!

E essa euforia pode ser muito motivante.

Mas no processo de a perseguirmos, também perdemos muitas vezes. Este caminho pode levar a uma frustração destrutiva e pouco saudável quando as coisas não estão a correr como gostaríamos.

Deixar o Seu Ego Mantê-lo Numa Má Mesa

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Deixar o Seu Ego Mantê-lo Numa Má Mesa


Este erro é, sem dúvida, um dos que as pessoas mais cometem quando as coisas não lhes estão a correr de feição. 

Como diria Dan Bilzerian:

Apesar de poker ser um jogo de habilidade, o seu nível de habilidade é muito menos importante do que a sua capacidade relativa à dos seus oponentes.

  • Como tal, é muito melhor ser o 6º pior jogador do mundo e sentar numa mesa com os 5 piores do que ser o 6º melhor e sentar com os 5 melhores.

Dan Bilzerian diz (em muitas entrevistas) que fez uma fortuna a jogar contra multimilionários que eram fracos jogadores de poker. Ele não diz ser um jogador de poker fantástico, apenas melhor do que aqueles contra quem jogava.

Acreditar na história ou não, a decisão é sua, mas caso seja verdade é uma excelente prova da importância da seleção de jogos.

Tal como chegar tarde ao casamento errado, também pode demorar um pouco a perceber que estamos numa mesa onde não devíamos estar. E quando finalmente nos apercebemos, o mais provável é já estarmos a perder. Os jogadores numa má mesa serão de um nível similar ou até mais alto do que o nosso.

E é no momento em que percebemos que estamos numa má mesa que a disciplina entra em jogo. 

Irritantemente, o desejo de ganhar é muitas vezes suficiente para nos mantermos na mesa em questão. Mas ainda podemos adicionar os seguintes fatores que facilitam, ainda mais, tomar a decisão de ficar numa mesa onde sabemos que não devíamos ficar:

  • Ego;
  • Frustração;
  • O facto daquele jogo ser o único a decorrer.

Bons jogadores que sabem o que fazer podem até andar a saltar entre mesas de €2/€5 e €5/€10 dependendo dos jogadores sentados e de quão longas as listas de espera forem. Podem até jogar um par de órbitas e depois levantarem-se e sair.

Você até pode assumir que eles se sentaram na mesa de €5/€10 por estarem impacientes à espera de um lugar na mesa de €2/€5 ou algo do género.

Mas o mais provável é serem jogadores inteligentes a tirar proveito de uma boa disciplina de escolha de mesa.

Pode ser difícil manter a clareza quando as coisas não estão a correr bem nas mesas. Mas é crucial avaliar a qualidade da mesa ao tentar perceber porque é que está a perder.

  • Se estiver com dificuldades, é provável que esteja sentado numa má mesa.
  • E se realmente achar que é inferior aos outros jogadores, deve mudar de mesa e continuar a estudar. 

Não deixe o ego mantê-lo sentado na mesa!

Jogar os seus B e C Games Demasiado Tempo

É bem provável que ganhe muito dinheiro no longo prazo se jogar a maioria dos jogos onde é o melhor jogador ou um dos melhores jogadores. Ter um nível de habilidade mais alto tornará tudo mais fácil.

  • Indiscutivelmente, ter a capacidade de encontrar e derrotar jogadores mais fracos é a habilidade mais valiosa no poker.
     
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Jogar os seus B e C Games Demasiado Tempo


Estes comentários sobre seleção de mesa podem parecer senso comum. Mas repare que tem de ‘encontrar e derrotar’ jogadores mais fracos. Não é acidental.

Sermos melhores do que os nossos adversários é excelente. Mas não nos dá automaticamente o direito de ganhar. É só metade da batalha. Até os melhores jogadores de poker do mundo não ganham por defeito.

Lembre-se do velho ditado chinês que acabámos de inventar: “Mesmo com os melhores ingredientes, o bolo não se cozinha sozinho.”

Para ganhar no longo prazo, você deve manter a concentração e disciplina necessária para jogar melhor do que os seus adversários grande parte do tempo. Ter um A-game que está anos luz à frente do dos seus adversários é inútil se passar 80% do tempo a jogar o seu C-game.

Apesar de ser bom ser imprevisível no poker, isso não se aplica em relação à consistência. Há várias razões pelas quais alguém pode passar do seu A-game para o seu B, C ou até D-game. 

As mais óbvias incluem:

  • Estar embriagado ou cansado;
  • Reagir a uma bad beat;
  • Jogar tempo em demasia.

É essencial garantir que não é apenas melhor jogador que os outros, mas que está, efetivamente, a jogar melhor que eles.

Nós não nos desviamos do nosso A-game intencionalmente. E é por isso que pode ser difícil reconhecer o quão bem (ou mal) estamos a jogar. Os nossos ganhos no curto prazo nem sempre refletem a qualidade do nosso jogo. 

Por isso, é vital aprendermos a ser autocríticos nas mesas, especialmente quando estamos a perder.

Uma excelente forma de o fazer é seguir um sistema tipo “à terceira, perdes”.

1. Tenha três objetos consigo quando está a jogar;
2. Quando percebe que está a cometer um erro, descarte um dos objetos;
3. Quando descartar os três, deve, obrigatoriamente, fazer uma pausa para refrescar a mente.

Sabemos que é a última coisa que quer fazer quando está a perder. Mas lembre-se, é melhor não jogar de todo do que continuar a jogar o seu C-game.

Outra forma de se manter em cima do problema é desenvolver uma contra-estratégia relacionada com as informações que obtém nos showdowns. Esta prática será dura para a mente, mas ajudará o seu desenvolvimento estratégico geral como jogador.

Isto garantirá que você tem um bom senso de direção quando estiver a jogar contra aqueles jogadores em específico. 

Digamos que você começa a ter dificuldades em deduzir o que quer que seja que vê nos showdowns. É nessa altura que tem de começar a pensar se está tão perspicaz quanto precisa de estar para se manter competitivo

Tentar Forçar as Coisas num Bom Jogo

Para além dos lucros prováveis, ser o melhor jogador da mesa pode aumentar fortemente a confiança. É uma das razões pelas quais é muitas vezes sugerido descer de limites durante uma downswing.

Apesar de destruir toda a gente na mesa ser uma experiência positiva, é fácil deixar que as emoções tomem conta de si quando as coisas lhe estão a correr de feição. 

A impaciência é a forma mais comum deste tipo de tilt, especialmente se estiver card dead e uma baleia na sua mesa estiver a distribuir fichas por toda a gente.

Como tem a noção de que você é o melhor jogador da mesa, sente-se frustrado quando vê os outros ganharem e você não. Você é o melhor jogador da mesa, deveria estar a ganhar; não é justo, certo?

Fica impaciente por aborrecimento ou medo de que os piores jogadores percam muito e saiam da mesa antes de ter direito à sua fatia. Então, para contrariar a forma como as coisas estão a correr, você começa a tentar fazer algo acontecer, jogando mãos como 53s, 65o, J4s quando sabe perfeitamente que não deveria.
 

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Tentar Forçar as Coisas num Bom Jogo


Tentar forçar a ação desta forma é, na verdade, um problema no seu jogo porque jogar este tipo de mãos enfraquece os seus ranges. Sem surpresa, esta (má) alteração estratégica prejudicará o seu EV. Muita da vantagem que tinha sobre os seus adversários também advinha da sua disciplina mais rígida e seleção de mãos superior. 

Jogar mãos que normalmente não jogaria, coloca-o em situações em que também não estaria noutra situação.

Até poderá jogar estas más mãos com melhor critério do que os seus adversários, mas não terá uma vantagem de habilidade tão grande ao ponto de anular a diferença de qualidade das mãos.

De um momento para o outro, perdeu a sua vantagem. Deixou de ser o melhor jogador na mesa e acabará por perder.

Por isso, é fundamental não deixar os seus padrões caírem ao tentar capitalizar jogadores mais fracos.

A Responsabilidade é Essencial

Quanto melhor um jogador se torna, maior a sua compreensão sobre as diferentes estratégias. Como resultado, eles podem avaliar uma situação de diversas formas. Embora isso seja geralmente algo positivo, esta riqueza de conhecimento pode ser uma desvantagem se aplicada nos cenários errados.

Este fator pode entrar em jogo quando ficamos frustrados e impacientes nas mesas. Permite-nos encontrar um motivo para justificar aquilo que queremos fazer em vez daquilo que deveríamos fazer.

Considere o conceito de agressividade neste exemplo:

  • O river completa uma possibilidade de flush e você está face a um grande check-raise depois de tentar tirar valor do seu top pair com uma aposta pequena.
  • Apesar de saber que deve, provavelmente, fazer fold, as coisas não têm corrido muito bem...
  • E por isso você está, subconscientemente, farto de fazer fold...

Você dá um passo atrás e olha para a informação que tem ao seu dispor.

  • Pouco sabe sobre o seu adversário, mas lembra-se que ele fez 5-bet shove com AJo pré-flop umas mãos antes.
  • Ele fez um comentário sobre ter “boas blockers”.
  • Você conclui que ele é agressivo, compreende o conceito de blockers e tem apenas o Ás relevante (do naipe correspondente ao possível flush).

Você faz call, ele mostra o nut flush e recolhe o pote.

Na verdade, você sabe que deveria ter feito fold tendo em conta que tinha pouca ou quase nenhuma informação sobre o seu adversário. Você ficou impaciente e frustrado.

Portanto, você usou o seu conhecimento sobre blockers e um exemplo não relacionado para se convencer a desviar-se do seu comportamento padrão. Lembre-se... agressividade pré-flop nada tem a ver com o jogo pós-flop.

Da sua perspetiva, você concluiu de forma metódica que o seu adversário é agressivo e compreende o conceito de blockers. Mas, na verdade, você não ia fazer fold de qualquer forma e estava só à procura de uma justificação para fazer call.

Se Estiver Preocupado com um Jogador Perdedor, Ajude-o

Achamos que não faria sentido escrever um artigo sobre downwings e não dedicar parte dele para falar sobre um assunto sério que afeta muitos jogadores em todo o mundo.

Eventualmente, durante a sua carreira, encontrará um ou mais jogadores em dificuldades. Eles estão a perder ao ponto de arriscar uma quantidade angustiante de dinheiro. E você tem uma obrigação moral de lhes dizer.

Sabemos que algumas pessoas discordam disto, dizendo que cada um é responsável pela forma como gere o seu dinheiro e pelo seu desempenho nas mesas. Ninguém os está a obrigar a jogar.

Lembre-se que o poker é, no geral, uma experiência divertida. Por isso, alguém que está infeliz e constantemente a perder não está propriamente a divertir-se.

Um excelente exemplo de como o fazer com sensibilidade envolve Tom Dwan quando jogou um cash game heads-up contra Sammy George.

Depois de um enorme bluff com 72, é mais do que evidente que Sammy ficou fortemente em tilt.

Dwan disse-lhe gentilmente que está preocupado com o facto de Sammy estar em tilt. Diz, inclusivamente, que não se sente confortável a jogar com alguém que está obviamente em tilt. E lembre-se que, ao fazer isto, Dwan está a descartar a possibilidade de lucrar facilmente com o estado emocional do seu adversário. Ainda assim, 'durrrr' insistiu que ambos fizessem um intervalo no caso de Sammy precisar de se acalmar.

O cenário seguinte é, possivelmente, um sinal de alerta:

Você vê um jogador nas mesas dia após dia a perder quantidades alarmantes de dinheiro. É bem possível que eles já saibam que têm um problema e estão com dificuldades em resolvê-lo.

E você pode ser aquele que faz a diferença ao dar-lhes um empurrão na direção certa.

♦ ♠ ♣ ♥

No final de contas, há muitas formas de reagir quando se perde nas mesas e nós esperamos que este artigo o ajude a manter-se competitivo quando as coisas não lhe estão a correr da melhor forma.

Sobre o Autor
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Amante e jogador de poker, Frederico traz temas de interesse sobre a modalidade para o nosso blog. Artigos sobre estratégia, dicas, notícias ou simples curiosidades marcarão presença assídua aqui, na 888Poker.

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